sábado, 7 de maio de 2016

Leituras e Devaneios: de Shakespeare, um soneto...




William Shakespeare é até hoje um dos nomes mais lembrados da literatura inglesa, o poeta e dramaturgo deixou uma vasta obra de clássicos atemporais que continuam sendo difundidas, adaptados e reinterpretadas durante séculos. 


Também considerado como o pai da língua inglesa moderna, Shakespeare além das grandes peças teatrais deixou uma coleção de sonetos que também refletem seu grande talento como poeta. E este será o principal ponto da presente discussão, apresentar as características formais de um soneto shakespeariano bem como seu tema. Como matéria da presente análise será utilizado o soneto 71.

Soneto 71 - William Shakespeare

Quando eu morrer não chores mais por mim
Do que hás de ouvir triste sino a dobrar
Dizendo ao mundo que eu fugi enfim
Do mundo vil pra com os vermes morar.

E nem relembres, se estes versos leres,
A mão que os escreveu, pois te amo tanto
Que prefiro ver de mim te esqueceres
Do que o lembrar-me te levar ao pranto.

Se leres estas linhas, eu proclamo,
Quando eu, talvez, ao pó tenha voltado,
Nem tentes relembrar como me chamo:

Que fique o amor, como a vida, acabado.
Para que o sábio, olhando a tua dor
Do amor não ria, depois que eu me for. 


Muito se especula sobre do que se tratam os sonetos, ou para quem seriam escritos, pois estes se diferem notavelmente dos demais escritos em sua época, o soneto 71, por exemplo, foi escrito por William Shakespeare na fase que abrange o soneto 18 até o soneto 126 onde Shakespeare se dirige a um jovem, The Young man, sobre o poder destrutivo do tempo, que é contrariado pela força do amor e da poesia. 


O soneto 71 caracteriza bem essa fase, pois o autor expressa o que deseja que façam ou não depois que ele morrer querendo apenas que o ser amado esqueça-se do amor e de quem ele era, para que não seja causado sofrimento pela sua partida. 

É uma espécie de consolo feito pelo poeta que acredita que poderá morrer antes de seu amado, e pede para que o mesmo se esqueça dele após este fato, e até mesmo se desfaça do amor que existia, sem sofrimentos, pois lembrar do amor seria mais um motivo para deixa-lo triste e fazer com que as outras pessoas pensem que o amor e todos envolvidos com ele são tolos. 


O desenvolvimento do tema dentro do soneto acontece nas três primeiras estrofes, onde somos apresentados ao tema (a morte do poeta) que será mais bem detalhado (coisas que o Young man deve agir diante da morte do poeta) e concluído nos dois últimos duetos ( não sofrer pela morte, e esquecer-se do amor.) 

Sobre os elementos formais deste soneto, assim como os demais, este é construído de acordo com o Iambic Pentameter com versos decassílabos que apresentam padrão de rima abab cdcd efef gg, também conhecido como o padrão Shakespeariano.


                                      

Mais sobre o soneto Shakespeariano....

ESTRUTURA BÁSICA DA COMPOSIÇÃO

O Soneto Inglês ou Shakespeariano deve obedecer, para os versos a seguinte estrutura:

Ter um conjunto de 14 versos, dispostos numa única estrofe (monostrófico), com um dístico final, separado por dois espaços para diferencia-lo do restante da construção do SONETO INGLÊS. Podemos chamar os 12 primeiros versos de espaço para DESENVOLVIMENTO DA IDEIA do poema; já o dístico final (conjunto de 2 (dois) versos – denominado pelos ingleses de “couplet”) como a CONCLUSÃO da ideia do poema.
METRO E RITMO

Todos os versos possuem METRO DECASSÍLABO (verso com 10 sílabas poéticas) utilizando o PENTÂMETRO JÂMBICO, que é composto por cinco pés, sendo cada pé um jambo - transferindo para uma linguagem mais simples podemos dizer assim: utiliza-se uma sílaba poética átona seguida de uma sílaba poética tônica (acentuada), por 5 (cinco) vezes seguidas em cada verso até formar, por completo, o verso Decassílabo Shakespeariano: o PENTÂMETRO JÂMBICO, que visualizando dá este esquema RÍTMICO:

U – U – U – U – U –  (U sílaba fraca; – sílaba forte).

Esta estrutura de verso é possível de se realizar, com maior facilidade, no idioma Inglês porque este possui boa quantidade de vocábulos monossílabos e dissílabos; o que no nosso idioma acontece em menor quantidade. Esta menor quantidade de vocábulos monossílabos e dissílabos traz maior dificuldade ao poeta, que escreve em Português, na criação do Pentâmetro Jâmbico.

OBSERVAÇÃO: Shakespeare não tinha a preocupação de manter este esquema rítmico em todos os versos. Ele, às vezes, transgride a regra do Pentâmetro Jâmbico, em algum verso do Soneto Inglês.

Esta afirmação fica clara na dificuldade da tradução, para o Português, dos Sonetos de Shakespeare, onde, os tradutores precisam aclimatar, a maior possibilidade de idéias, por conta do maior número de vocábulos monossílabos e dissílabos presentes no verso decassílabo em Inglês, em um verso, com vocábulos equivalentes no Português: trissílabos e quadrissílabos.


Curtiram?! Qual é o soneto de Shakespeare que você mais gosta? Deixe seu comentário e até a próxima!


referência: http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/2062310




sábado, 23 de abril de 2016

Leituras e Devaneios: O Duque e Eu - Julia Quinn



     Olá leitores estou aqui mais uma vez para dividir com vocês as minhas impressões sobre a minhas leituras, hoje, o primeiro livro, dos oito  da série Os Bridgertons- O Duque e Eu. A inserção desta obra  na minha lista foi uma surpresa já que esta leitura não estava programada. Abri um espaço na minha lista já que muitas pessoas me indicaram este livro por saber que eu gosto da autora Jane Austen. Júlia Quinn  é considerada Jane Austen contemporânea. Fiquei curiosa e fui descobrir sobre o que o livro se tratava.



   Não me arrependi, apesar de ter demorado mais tempo nessa leitura do que eu pretendia, é a vida social atrapalhando a vida de leitora mais uma vez... a experiência foi muito prazerosa.Logo de incio Júlia Quinn, como uma boa aprendiz de Austen que é, já vai logo nos apresentando seus personagens, por meio de sua escrita leve e divertida, de uma forma que ficaria impossível não se apaixonar por eles.

   Nossa heroína Daphne Bridgerton é a menina mais velha da família que sofre com os dilemas que uma típica moça de época tem que passar, como por exemplo, seguir à risca as regras da sociedade para preservar sua honra, sobreviver as investidas de sua mãe para lhe arranjar um bom casamento, pois com 21 anos Daphne já pode ser considerada uma solteirona. A família Bridgerton é composta pela matriarca Violet, que é uma perfeita caricatura da Sra Bennet de Orgulho e Preconceito, obcecada em arrumar bons casamentos para  seus oito filhos, que são sempre muito unidos, principalmente os meninos mais velhos, sempre empenhados em proteger as irmãs mais novas.



    O Duque de Hastings é o nosso "herói" que vive uma turbulenta história de amor com Daphne, mas antes disso ele corre de romance igual um vampiro da cruz! Simon é misterioso e taciturno, meio um Mr. Darcy, não tem como não comparar: rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon,o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Porém sua história de vida faz com que ele nunca queira casar, mesmo se sua pretendente for inteligente e espirituosa como Daphne.

    E é assim que se inicia o ápice da trama, para se livrar das garras das senhoras que estão loucas para casar as filhas com um Duque, Simon precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo. Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. 

    Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta. Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.

     O Duque é eu é uma leitura deliciosa, um romance perfeito para se ler na cama em um fim de noite ou enrolada nas cobertas em um dia chuvoso. Tenho mais sete livros da série pela frente e com certeza irei continuar a série, me apaixonei pela família Bridgerton e não vejo a hora de conhecer as histórias dos irmãos de Daphne. Aguardem!

Beijinhos,
Hasta la vista!

domingo, 10 de abril de 2016

Little Things: Personagens do Johnny Depp que amo!




Amor é uma coisa que se conquista né? Mas se tratando de John Christopher Depp II ele nem precisa fazer muito esforço para derreter os nossos corações. É um dos atores mais famosos e adorados por todo o mundo, devido a papéis brilhantes e excêntricos que marcaram a vida de muitas pessoas. Sendo considerado um dos maiores nomes do cinema atual, seguem agora os meus personagens mais amados vividos pelo nosso querido Johnny!

                


#1 Edward Mãos de Tesoura: 

Edward Mãos de Tesoura (1990)


Quem aqui não gostaria de se arriscar pra dar um abraço nessa fofura? Quem assistiu o filme entende do que eu estou falando. Edward Mãos de Tesoura foi o primeiro personagem da parceria de Johnny Depp com o diretor Tim Burton.

#2 Captain Jack Sparrow:

 Piratas do Caribe (2003 - 2017)




O que falar sobre o pirata mais conhecido dos sete mares? Um personagem icônico e marcante, Jack Sparrow ou melhor Capitão Jack Sparrow é a grande estrela da saga Piratas do Caribe que já rendeu quatro filmes com o quinto a caminho. Seu estilo, meio atrapalhado e cômico adicionado ao charme natural de Johnny Depp faz de Jack um de seus personagens mais amados! 

#3 Don Juan de Marco:

Don Juan de Marco (1995)


Um belo dia um psicólogo se vê diante do seu último paciente, um jovem que acredita ser o próprio Don Juan sofrendo por ter perdido o seu grande amor, no decorrer do convívio com este paciente o psicólogo tenta evitar a influência que as ideias românticas do jovem começam a exercer sobre os seus relacionamentos pessoais.  Neste filme, Johnny contracena com Marlon Brando e interpreta o jovem em questão. Muito romantismo combinado com um  bronzeado irresistível fazem deste personagem um elemento obrigatório desta lista!

#4 Ichabod Crane:

A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999)

                    
Ichabod Crane é o detetive que foi enviado de Nova York para Sleppy Hollow investigar estranhos assassinatos ocorridos na cidadezinha, o que ele não esperava era ter que enfrentar poderes sobrenaturais em busca do Cavaleiro Sem Cabeça. O Detetive Ichabod é mais um da dupla Burton-Depp que mescla um pouquinho de esquisitice com um tom cômico e romance.  

#5 Chapeleiro Maluco:

Alice no Pais das Maravilhas (2010) e Alice Através do Espelho (2016)




O Chapeleiro é um daqueles personagens que eu não sei por onde começar a me derreter, a interpretação de Johnny dá a ele um tom excêntrico e carismático que faz jus ao personagem escrito originalmente por Lewis Carroll.

#6 Mort Rainey:

A Janela Secreta (2004)




Pra quem não assistiu a esse filme ainda, um recado : Assista logo! A Janela secreta é um daqueles filmes que mistura suspense com um final bem louco. Inspirado em um livro homônimo de Stephen King, Mort é um escritor bem sucedido que está em crise, enfrentando um conflito pessoal após o fim de seu casamento. Não conseguindo escrever nada novo. Para complicação da circunstância, um homem aparece inesperadamente e começa a atormentá-lo dizendo que Rainey se favoreceu do plágio de um de seus melhores contos, pressionando de forma invasiva o escritor e demonstrando também possuir sinais de ser um sujeito mentalmente alterado e ameaçador.

#7 Willy Wonka:

A Fantástica Fábrica de Chocolates (2005)



Pra falar a verdade, eu sempre tive um medinho do Willy Wonka, um medo somado a uma vontade enorme de conhecer a Fantástica Fábrica de Chocolates. Johnny aparece como o excêntrico e eu diria um pouquinho perturbado, dono da fábrica de chocolates mais famosa do mundo. Até hoje eu não sei se esse é um filme de terror ou um filme infantil. O que acham?

#Bônus: Glen Lantz:

A Hora do Pesadelo (1984)


Como bônus temos Johnny Depp na sua primeira aparição no cinema, como Glen Lantz um dos adolescentes que são atormentados por Freddy Kruegger neste clássico do terror, Glen tem uma das mortes mais horripilantes de toda a saga de Freddy! Agradeça a moda dos anos 80 pela barriguinha exposta.


Morte de Glen em A Hora do Pesadelo


E aqui encerra nossa lista! Um amor Chamado Johnny Depp! Sei que deixei vários personagens incríveis de fora pois a carreira de Johnny é uma das mais ecléticas do cinema! E você? Quais são seus personagens preferidos? Quem deveria estar nesta lista? Deixe eu comentário! ;)


quinta-feira, 10 de março de 2016

Little Things: Nostalgia! 10 músicas que completam 10 anos em 2016



 Bom vindos a sessão " você está velho aceite!", ou melhor, bem vindos à "nostalgia para pessoas com grandes experiências musicais" chamem como quiser a verdade é que música nunca fica velha e é sempre um passaporte para muitas lembranças sendo elas boas ou não. Vamos navegar agora por 10 músicas que completam 10 anos em 2016 e que fizeram parte das nossas legendas de foto no orkut e claro, os clássicos subnicks do MSN!

# Hips Don't Lie - Shakira




Há dez anos atras os quadris da Shakira não mentiam...

Subnick: "Baby, você não vê, isto é a perfeição"



# Irreplaceable - Beyoncé


31 músicas que completarão 10 anos de idade em 2016

Beyoncé ensinava para o boy o lugar dele...

Subnick: "Então, você, nem por um segundo, pense que é insubstituível"


                                

# Razões e Emoções - NX Zero



A chapinha reinava no cabelo dos boys...

Subnick: "Se não agora, depois não importa por você posso esperar."

                                  


# S.O.S - Rihanna



A Rihanna ainda não andava com umbrella ella ella êh êh...

Subinick: "Sou a pergunta e você é a resposta"


# Sexy Back - Justin Timberlake



Justin trazia o sexy back...

Subnick: provavelmente coisas impróprias para a minha idade na época. hehe


# High School Musical: Breaking Free



Zac roubava nosso coração sendo fofo com esse cabelo duvidoso... <3

Subnick: "Não existe nenhuma estrela no céu que nós não possamos alcançar"


                                      

# Call Me When You're Sober - Evanescence 



Amy Lee sendo o som das minhas sessões depressão...

Subnick: " Se você me amasse você estaria aqui comigo"


                                  

# Pump it - Black Eyed Peas



Saudades Black Eyed Peas <3

Subnick: ?


                                         


# Rehab - Amy Winehouse




Amy Winehouse começava sua carreira...

Subnick: "Porque não há nada, nada que você possa me ensinar."


# So Sick - Ne-Yo



Ne-Yo estava cansado de canções de amor...

Subnick: "Eu estou cansado de ficar triste, chorar por você"





E aqui acaba nossa lista! Com um gostinho de que o tempo passou e eu nem percebi!! Fica a saudade de 2006 onde eu estava na sétima série sendo a estranhona que todo mundo é quando está nessa idade! Ufa, ainda bem que o tempo passou! hahaha

Beijinhos,
Hasta La Vista!

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Leituras e Devaneios: O Lado Bom da Vida - Matthew Quick



Hey Leitores!

Hoje nosso devaneio é sobre as páginas de O Lado Bom da Vida obra escrita por Matthew Quick em 2008 e adaptada para o cinema em 2012, sua adaptação é muito elogiada e é conhecida por ter dado a Jennifer Lawrence sua primeira estatueta do Oscar.


Sinopse

"Pat Peoples, um ex-professor de história na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um "tempo separados". Tentando recompor o quebra-cabeças de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se recusando a falar com ele, sua esposa negando-se a aceitar revê-lo e seus amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora um viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida. À medida que seu passado aos poucos ressurge em sua memória, Pat começa a entender que "é melhor ser gentil que ter razão" e faz dessa convicção sua meta. Tendo a seu lado o excêntrico (mas competente) psiquiatra Dr. Patel e Tiffany, a irmã viúva de seu melhor amigo, Pat descobrirá que nem todos os finais são felizes, mas que sempre vale a pena tentar mais uma vez. Um livro comovente sobre um homem que acredita na felicidade, no amor e na esperança."


Bastou o primeiro capítulo e pronto! Eu já estava apaixonada pelo Pat Peoples o herói de "O Lado Bom da Vida" e já estava torcendo por ele, seja lá o que ele quisesse alcançar.

Matthew Quick soube ser esperto e para o bem da sua história criou um primeiro capítulo que mais serve como um laço, que prende o leitor desde o inicio da obra. Não tem como terminar esse capítulo sem se apaixonar por Pat e torcer pelo final feliz que ele tanto almeja.




O Lado Bom da Vida é um livro sobre tolerância, cheio de personagens super diferentes entre si, uns que você aprende a amar e outros a odiar. Começando pelo pai de Pat, o personagem que mais odiei durante o livro, é muita insensibilidade em um personagem só era incrível como ele não conseguia ver além das limitações do filho e enxergar que ele poderia ser alguém melhor se tivesse o apoio de todos. Inclusive a dele próprio.


Outro personagem super legal é o Dr. Patel e a relação que ele constrói com seu paciente Pat, mesmo sabendo que a essa relação é muito delicada, levando em conta que Dr. Patel trata da saúde mental de Pat, eles conseguiram encontrar uma paixão em comum, o futebol americano, que os uniu ainda mais e fez da amizade um ótimo acréscimo a terapia de Pat.

 
Falando sobre futebol americano, se você não curte muito ler sobre esse tipo de esporte vai ter um pouco de dificuldade durante o enredo já que este é cheio de referências a liga de futebol americano dos EUA.


Pat Peoples é um herói em extrema confusão para os outros mas totalmente decidido para si mesmo, apesar de suas limitações e dúvidas ele acredita que tem a chance de ser feliz e que não pode perder essa chance por nada mesmo sabendo o quão difícil poderá ser a sua trajetória.



Pat, além de tudo se torna um leitor voraz, no decorrer do livro ele nos conta suas impressões sobre os grandes clássicos que lê e o quanto decepcionado ele fica por saber que finais felizes nem sempre são permitidos, na vida e consequentemente na literatura. Entre essas sobras estão: O Grande Gatsby e O Apanhador no Campo de Centeio. 


                                   

Durante sua trajetória Pat deixa sempre claro os seus objetivos e se supera a cada novo capítulo, desde a saída do 'lugar ruim' até quando ele decide escolher pra sua vida aquilo que está ao seu alcance. O Lado Bom da Vida é um livro para sonhadores, pessoas que como Pat são persistentes e que acreditam que mesmo em situações difíceis o melhor pode acontecer. Um livro pra se apaixonar, chorar e se deliciar.

Hasta La Vista! :*

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Leituras e Devaneios: Profissões para Mulheres: Sobre Agent Carter e Virginia Woolf


Buenas!

Hoje vamos ter muito o que devanear sobre este post. Primeiramente este é baseado na leitura do livro Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas da autora Virginia Woolf. Durante a leitura, percebi que esta obra tem bastante a ver com o plot da série de TV Marvel's Agent Carter e do perfil de sua personagem principal Peggy Carter. As duas obras, mesmo retratando realidades diferentes entre os anos 30 e 40 tem muito a ver com questionamentos que ainda nos fazemos hoje.

Vamos começar com um breve perfil das protagonistas deste post:

#Virginia Woolf



Virginia Adeline Stephen Woolf nasceu em Londres, Inglaterra, em 1882. Seu pai, um crítico literário, foi quem a educou. Figura central do grupo Bloomsbury, do qual também participaram E. M. Forster, Katherine Mansfield, Maximo Gorki, entre outros, colaborava com o Times Literary Supplement. 

Em 1912, casou-se com Leonard Woolf e fundou a casa editorial Hogarth Press, que lançou, além da própria escritora, T.S.Elliot, Forster e K. Mansfield. Foi a primeira editora a publicar a obra de Freud em inglês. Seu primeiro livro, A viagem, foi publicado em 1915. Depois vieram, entre outros,Noite e dia (1919), Mrs. Dalloway (1925), O quarto de Jacob (1922), Rumo ao farol (1927), Orlando (1928), Um teto todo seu (1929), As ondas (1931). No início da década de 1930, Vir­ginia já apresentava um histórico de saúde mental frágil, que culminaria no seu suicídio, em 1941.


#Agent Carter


Margaret "Peggy" Carter fez sua primeira aparição na revista Tales of Suspense #75 em março de 1966 criada pelos mestres Jack Kirby e Stan Lee. No início também era chamada de Agente 13, mesmo codinome que sua sobrinha Sharon Carter décadas mais tarde iria aderir (em outra história Sharon era irmã mais nova de Peggy).Carter foi uma das melhores agentes da Strategic Scientific Reserve (SSR) durante a segunda guerra mundial. Onde conheceu seu grande amor Steve Rogers, vulgo Capitão América. Nas histórias em quadrinhos eles se conheceram durante missões e Rogers não sabia o verdadeiro nome de Peggy, somente seu codinome.


Já no Universo Cinematográfico da Marvel, Peggy Carter é originalmente britânica, um oficial da British Armed Forces Special Air Service, durante a Segunda Grande Guerra. Conheceu Steve Rogers, antes desse se tornar o Capitão América, na base militar onde Steve foi treinar.

Teve um papel marcante na vida do Bandeiroso, sendo o grande amor de sua vida, que ficou lhe devendo uma última dança, antes de cair no oceano depois da luta contra o Caveira Vermelha no filme Capitão América: O Primeiro Vingador. Peggy Carter também participou da sequência Winter Soldier, já idosa, e com visíveis problemas de memória. 

...

Mas o que a renomada escritora inglesa e uma personagem ficcional tem em comum? Mais do que você imagina; as duas, uma através de suas obras e a outra nos fatos da série que protagoniza, demonstram em diferentes nuances e épocas, a posição das mulheres na sociedade patriarcal. Neste caso priorizando a profissão que exercem.

Virginia discute em seu livro a posição que as mulheres vinham tomando profissionalmente nos anos 30. O ensaio que abre o livro "Profissões para mulheres" Virginia expõem suas opiniões sobre os desafios que a mulher da época enfrenta para ocupar uma profissão que não seja ligada aos padrões que a sociedade lhe dita. Para tanto, usa sua experiência profissional como exemplo esta, que se limitou a escrita já que esta atividade era considerada respeitosa para uma moça.

                              Nor does she let a man assume she's a secretary.


O mesmo não pode se dizer de Peggy, os fatos aqui expostos dizem respeito ao enredo da 1ª temporada da série Agent Carter. Na série ambientada em 1946, acompanha Peggy Carter conforme ela lida com as consequências do retorno do exército para os EUA após o fim da guerra. Abalada depois do desaparecimento de Steve Rogers,  Peggy mesmo tendo participado de grandes missões como a que resultou na criação do Capitão América, é diminuída por seus colegas de trabalho, todos homens, e precisa neste ambiente dominado pelo sexo oposto, tentar fazer com que o seu trabalho seja respeitado.
Ser uma agente secreta não é uma profissão comum para uma mulher, e ela sofre com essa visão toda vez que no escritório é "confundida" com uma secretária e é designada para trabalhos como, atender telefones e buscar o almoço...

Thompson:"estes relatórios de vigilância precisam ser arquivados e você é sempre muito melhor neste tipo de coisa."
Peggy: Que tipo de coisa é essa, Agente Thompson? O alfabeto?"
  Virgínia Woolf prossegue seu argumento descrevendo alguns dos desafios que ela enfrentou para seguir a carreira de escritora, entre eles superar a sombra do "anjo do lar" que nada mais é do que o ideal feminino da época, que indicava como a mulher DEVERIA ser para ser respeitada: "em suma seu feitio era nunca ter opinião ou vontade própria e preferia sempre concordar com as opiniões e vontades dos outros." Woolf, resolveu "matar o anjo do lar dentro dela para que pudesse dar voz a sua verdadeira personalidade.

Carter por sua vez também parece ter se livrado do anjo do lar em suas decisões pessoais, mas não deixa de utilizá-lo como um aliado quando precisa para poder viver sua vida dupla e manter a fachada de "telefonista pacata" ou até dentro de seu escritório quando seus colegas a subestimam, e a veem como inferior usando, desta forma, o próprio machismo deles contra os mesmos (quem assistiu a série entende melhor essa parte.)

Almost all of her male co-workers see her as less capable, so she uses their mistake against them.
Carter executando o tipo de atividade que lhe era designada e aproveitando para coletar informações para suas missões.
   "O anjo do lar morreu e o que ficou? Vocês podem dizer que o que ficou foi algo simples e comum (...) Em outras palavras agora que tinha se livrado da falsidade a moça só tinha de ser ela mesma. Ah, mas o que é ela mesma? Quer dizer o que é uma mulher? Juro que não sei. E duvido que vocês saibam. Duvido que alguém possa saber, enquanto ela não se expressar em todas as artes e profissões abertas às capacidades humanas." Como saber no que a mulher necessita ou o que ela almeja sem que ela mesma possa nos mostrar essas respostas? Essa era a discussão trazida por Woolf nos anos 30, as mulheres dando voz ao próprio sexo para que elas possam fazer as escolhas que quiserem para suas vidas.

"Vocês acham que me conhecem, mas eu nunca fui mais do que o que cada um de vocês tem criado"

Em mais um trecho do Livro "Profissões para mulheres..." Virginia cita o que seria o perfil do personagem Thompson e a maneira como este trata a Agent Carter durante a série: "Há um instinto masculino forte e Inextirpável de que uma jovem culta ou mesmo talentosa é o monstro mais intolerável de toda a criação."  Thompson, não somente vê em Carter uma ameaça, mas sabe que ela é talentosa e competente no que faz e não a respeita como tal por ela ser mulher.

Thompson says something that, at least in Episode 4, actually turns out to be true.
Thompson: "A ordem natural do universo. Você é uma mulher. Nenhum homem irá te considerar como um igual."

Por fim, encerraremos nosso devaneio com mais um trecho de Virginia Woolf:
(...) Para um homem ainda é muito mais fácil do que para uma mulher dar a conhecer suas opiniões e vê-las respeitadas. Não tenho dúvidas de que, caso tais opiniões prevaleçam no futuro, continuaremos num estado de barbárie semicivilizada. Pelo menos é assim que defino a perpetuação do domínio de um lado e, de outro da servilidade. Pois a degradação de ser escravo só se equipara a degradação de ser senhor."

There is a shot early in the first episode where Agent Carter is symbolically fighting through men standing in her way.

Obs:
Poderia ter ficado um tempão aqui descrevendo o quanto a Agente Carter é girl power, mas fica aqui a minha recomendação: para quem ainda não assistiu a série ou leu o livro, eu super recomendo!

Para saber mais:

http://www.buzzfeed.com/arianelange/gloriously-feminist-moments-from-agent-carter#.ouneJNBAxb


http://esportenerd.com/serie/noticia/curiosidades-sobre-agent-carter20150105

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Leituras e Devaneios: Sejamos Todos Feministas - Chimamanda Ngozi Adichie



Hey!!!

Hoje é dia de falarmos sobre um assunto mega relevante: o feminismo e a questão de gênero em geral. O devaneio de hoje traz o livro: Sejamos Todos Feministas da autora Chimamanda Ngozi Adichie. Este post tem como detalhe especial a colaboração da minha amiga leitora Jailda Alves (@passosjai) que também leu o livro e fez questão de mesclar suas impressões com as minhas, resultando nesse post super girl power que você vai conferir agora!!




No nosso cotidiano é “comum” nos depararmos com explosões de padrões e regras, surgidas dos mais distintos lugares, como nas redes sociais, família, entre amigos e etc., algumas delas já estão inseridas na sociedade a tal ponto que muitas pessoas não conseguem sequer notar. Você pode se perguntar: “como isso?”, ou até estar convicto(a) que é mais um “mimimi” de gente que vê problema em tudo, como é considerado por muitos.

Chimamanda na palestra que originou o livro "we should all be feminists"


No entanto, um livro pequeno mas de conteúdo cheio de questionamentos traz reflexões que valem muito a pena serem levadas em consideração. No livro Sejamos todos feministas, Chimamanda convida a nós, homens e mulheres, a pensarmos sobre a questão de gênero de uma maneira diferente e simples, por meio de sua escrita leve e íntimista a autora nos guia por fatos do dia a dia que parecem corriqueiros, mas carregam uma grande carga de preconceito contra o gênero feminino. Chimamanda deixa claro nessa obra que o feminismo é um termo cheio de estereótipos e que muitas vezes é mal compreendido e mal utilizado. 


O ponto alto dessa obra na minha opinião é a questão do respeito a feminilidade da mulher, pois podemos lutar pelos nossos direitos, contra o que tira a nossa dignidade, sem ter que deixar nossa essência de lado, sem deixar que a questão do gênero dite quem DEVEMOS ser, e não quem somos. Uma ótima dica de leitura para quem quer iniciar seus estudos sobre gênero de uma maneira leve e objetiva. Um livro pra ser lido por HOMENS e MULHERES.


A leitura desse livro ajuda não somente a quebrar os estereótipos ligados ao feminismo, mas responde indiretamente algumas questões comumente direcionadas as feministas e redireciona e racionaliza o instinto adotado por algumas pessoas, o qual resume-se ao desvio e contorno da situação, enquanto algumas debatem, mostram um contraponto e lutam até serem ouvidas, ou até conseguir o objetivo pretendido, nesse caso, ao que refere-se aos direitos as mulheres.


Para se inteirar mais sobre o livro, não deixe de assistir a palestra que deu origem a obra em questão: 


Além do livro, parte do discurso de Chimamanda foi musicado por Beyoncé na canção #FLAWLESS 


Hasta la Vista!