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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Leituras e Devaneios: Profissões para Mulheres: Sobre Agent Carter e Virginia Woolf


Buenas!

Hoje vamos ter muito o que devanear sobre este post. Primeiramente este é baseado na leitura do livro Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas da autora Virginia Woolf. Durante a leitura, percebi que esta obra tem bastante a ver com o plot da série de TV Marvel's Agent Carter e do perfil de sua personagem principal Peggy Carter. As duas obras, mesmo retratando realidades diferentes entre os anos 30 e 40 tem muito a ver com questionamentos que ainda nos fazemos hoje.

Vamos começar com um breve perfil das protagonistas deste post:

#Virginia Woolf



Virginia Adeline Stephen Woolf nasceu em Londres, Inglaterra, em 1882. Seu pai, um crítico literário, foi quem a educou. Figura central do grupo Bloomsbury, do qual também participaram E. M. Forster, Katherine Mansfield, Maximo Gorki, entre outros, colaborava com o Times Literary Supplement. 

Em 1912, casou-se com Leonard Woolf e fundou a casa editorial Hogarth Press, que lançou, além da própria escritora, T.S.Elliot, Forster e K. Mansfield. Foi a primeira editora a publicar a obra de Freud em inglês. Seu primeiro livro, A viagem, foi publicado em 1915. Depois vieram, entre outros,Noite e dia (1919), Mrs. Dalloway (1925), O quarto de Jacob (1922), Rumo ao farol (1927), Orlando (1928), Um teto todo seu (1929), As ondas (1931). No início da década de 1930, Vir­ginia já apresentava um histórico de saúde mental frágil, que culminaria no seu suicídio, em 1941.


#Agent Carter


Margaret "Peggy" Carter fez sua primeira aparição na revista Tales of Suspense #75 em março de 1966 criada pelos mestres Jack Kirby e Stan Lee. No início também era chamada de Agente 13, mesmo codinome que sua sobrinha Sharon Carter décadas mais tarde iria aderir (em outra história Sharon era irmã mais nova de Peggy).Carter foi uma das melhores agentes da Strategic Scientific Reserve (SSR) durante a segunda guerra mundial. Onde conheceu seu grande amor Steve Rogers, vulgo Capitão América. Nas histórias em quadrinhos eles se conheceram durante missões e Rogers não sabia o verdadeiro nome de Peggy, somente seu codinome.


Já no Universo Cinematográfico da Marvel, Peggy Carter é originalmente britânica, um oficial da British Armed Forces Special Air Service, durante a Segunda Grande Guerra. Conheceu Steve Rogers, antes desse se tornar o Capitão América, na base militar onde Steve foi treinar.

Teve um papel marcante na vida do Bandeiroso, sendo o grande amor de sua vida, que ficou lhe devendo uma última dança, antes de cair no oceano depois da luta contra o Caveira Vermelha no filme Capitão América: O Primeiro Vingador. Peggy Carter também participou da sequência Winter Soldier, já idosa, e com visíveis problemas de memória. 

...

Mas o que a renomada escritora inglesa e uma personagem ficcional tem em comum? Mais do que você imagina; as duas, uma através de suas obras e a outra nos fatos da série que protagoniza, demonstram em diferentes nuances e épocas, a posição das mulheres na sociedade patriarcal. Neste caso priorizando a profissão que exercem.

Virginia discute em seu livro a posição que as mulheres vinham tomando profissionalmente nos anos 30. O ensaio que abre o livro "Profissões para mulheres" Virginia expõem suas opiniões sobre os desafios que a mulher da época enfrenta para ocupar uma profissão que não seja ligada aos padrões que a sociedade lhe dita. Para tanto, usa sua experiência profissional como exemplo esta, que se limitou a escrita já que esta atividade era considerada respeitosa para uma moça.

                              Nor does she let a man assume she's a secretary.


O mesmo não pode se dizer de Peggy, os fatos aqui expostos dizem respeito ao enredo da 1ª temporada da série Agent Carter. Na série ambientada em 1946, acompanha Peggy Carter conforme ela lida com as consequências do retorno do exército para os EUA após o fim da guerra. Abalada depois do desaparecimento de Steve Rogers,  Peggy mesmo tendo participado de grandes missões como a que resultou na criação do Capitão América, é diminuída por seus colegas de trabalho, todos homens, e precisa neste ambiente dominado pelo sexo oposto, tentar fazer com que o seu trabalho seja respeitado.
Ser uma agente secreta não é uma profissão comum para uma mulher, e ela sofre com essa visão toda vez que no escritório é "confundida" com uma secretária e é designada para trabalhos como, atender telefones e buscar o almoço...

Thompson:"estes relatórios de vigilância precisam ser arquivados e você é sempre muito melhor neste tipo de coisa."
Peggy: Que tipo de coisa é essa, Agente Thompson? O alfabeto?"
  Virgínia Woolf prossegue seu argumento descrevendo alguns dos desafios que ela enfrentou para seguir a carreira de escritora, entre eles superar a sombra do "anjo do lar" que nada mais é do que o ideal feminino da época, que indicava como a mulher DEVERIA ser para ser respeitada: "em suma seu feitio era nunca ter opinião ou vontade própria e preferia sempre concordar com as opiniões e vontades dos outros." Woolf, resolveu "matar o anjo do lar dentro dela para que pudesse dar voz a sua verdadeira personalidade.

Carter por sua vez também parece ter se livrado do anjo do lar em suas decisões pessoais, mas não deixa de utilizá-lo como um aliado quando precisa para poder viver sua vida dupla e manter a fachada de "telefonista pacata" ou até dentro de seu escritório quando seus colegas a subestimam, e a veem como inferior usando, desta forma, o próprio machismo deles contra os mesmos (quem assistiu a série entende melhor essa parte.)

Almost all of her male co-workers see her as less capable, so she uses their mistake against them.
Carter executando o tipo de atividade que lhe era designada e aproveitando para coletar informações para suas missões.
   "O anjo do lar morreu e o que ficou? Vocês podem dizer que o que ficou foi algo simples e comum (...) Em outras palavras agora que tinha se livrado da falsidade a moça só tinha de ser ela mesma. Ah, mas o que é ela mesma? Quer dizer o que é uma mulher? Juro que não sei. E duvido que vocês saibam. Duvido que alguém possa saber, enquanto ela não se expressar em todas as artes e profissões abertas às capacidades humanas." Como saber no que a mulher necessita ou o que ela almeja sem que ela mesma possa nos mostrar essas respostas? Essa era a discussão trazida por Woolf nos anos 30, as mulheres dando voz ao próprio sexo para que elas possam fazer as escolhas que quiserem para suas vidas.

"Vocês acham que me conhecem, mas eu nunca fui mais do que o que cada um de vocês tem criado"

Em mais um trecho do Livro "Profissões para mulheres..." Virginia cita o que seria o perfil do personagem Thompson e a maneira como este trata a Agent Carter durante a série: "Há um instinto masculino forte e Inextirpável de que uma jovem culta ou mesmo talentosa é o monstro mais intolerável de toda a criação."  Thompson, não somente vê em Carter uma ameaça, mas sabe que ela é talentosa e competente no que faz e não a respeita como tal por ela ser mulher.

Thompson says something that, at least in Episode 4, actually turns out to be true.
Thompson: "A ordem natural do universo. Você é uma mulher. Nenhum homem irá te considerar como um igual."

Por fim, encerraremos nosso devaneio com mais um trecho de Virginia Woolf:
(...) Para um homem ainda é muito mais fácil do que para uma mulher dar a conhecer suas opiniões e vê-las respeitadas. Não tenho dúvidas de que, caso tais opiniões prevaleçam no futuro, continuaremos num estado de barbárie semicivilizada. Pelo menos é assim que defino a perpetuação do domínio de um lado e, de outro da servilidade. Pois a degradação de ser escravo só se equipara a degradação de ser senhor."

There is a shot early in the first episode where Agent Carter is symbolically fighting through men standing in her way.

Obs:
Poderia ter ficado um tempão aqui descrevendo o quanto a Agente Carter é girl power, mas fica aqui a minha recomendação: para quem ainda não assistiu a série ou leu o livro, eu super recomendo!

Para saber mais:

http://www.buzzfeed.com/arianelange/gloriously-feminist-moments-from-agent-carter#.ouneJNBAxb


http://esportenerd.com/serie/noticia/curiosidades-sobre-agent-carter20150105

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Leituras e Devaneios: Guerra Civil Marvel



Hey Leitores!


Hoje é dia de devaneio e o meu último foi me jogando de cabeça nos acontecimentos da Guerra Civil da Marvel!!! Sim, a Marvel resolveu invadir todas as mídias possíveis com seus super heróis, me peguei explicando umas duas vezes para a minha mãe o que era a Marvel 'rsrs. A linda Editora Novo Conceito está lançando no Brasil as adaptações das HQs da Marvel em livros e quando eu descobri a Guerra Civil que é o tema do próximo filme do Capitão América eu pirei !!!


Eu já havia lido na internet muita coisa sobre o que acontece durante a Guerra Civil principalmente com meu herói do coração: o Chris Ev... ops, o Capitão América ~'haha~ Então, em abril eu queria esse livro como meu presente de aniversário pra mim mesma, o problema foi que ele nunca estava em estoque no site em que eu queria, foram dois longos meses até que eu consegui fazer a compra e duas longas semanas de espera até eu colocar minhas mãozinhas nele! <3




Pra quem não sabe A Guerra Civil trata-se de um marco histórico na Marvel por ser a primeira separação clara de dois grupos de heróis por ideologias diferentes e pontuais. Após uma trágica batalha que mata centenas de pessoas na cidade de Stamford, Connecticut, o governo norte-americano decide criar um registro para todos os super-humanos (heróis e vilões) que tornará público a identidade e os poderes de cada um. 

Esse cenário coloca em oposição o Homem de Ferro, supervisor da missão, e o Capitão América, herói rebelado. A partir daí, uma guerra civil é travada, resultando na morte de um super-herói. Repleto dos mais importantes personagens da Marvel, “Guerra Civil” vendeu, apenas nos EUA, mais de meio milhão de exemplares.


Esse livro partiu meu coração, ver os heróis lutando um contra os outros é algo meio chato,  pois poe em cheque a lealdade de grupos que somos acostumados a ver lutando juntos, como os Vingadores e o Quarteto Fantástico. Além disso, o dever deles seria lutar pelas pessoas as quais defendem e não por interesses pessoais ou do governo. O fim do livro me decepcionou um pouquinho, mas só porque eu esperava mais detalhes sobre o fim de cada herói após a guerra só que isso seria assunto para outro livro.

A narrativa deste livro é super dinâmica, são capítulos bem curtos que revezam seu foco  entre os heróis narrando suas ações durante a guerra. O livro é lindo, tem um design bem legal e ainda vem com um marcador de página e um encarte com os próximos lançamentos da série Marvel pela editora Novo Conceito e as já lançadas; entre eles histórias sobre, Os Guardiões da Galáxia, X Men, Homem Aranha, Homem de Ferro e Os Vingadores.


Essa foi a pergunta que eu me fazia o tempo inteiro durante a leitura, se realmente fosse possível existirem super heróis como os do livro, de que lado eu estaria? Da S.H.I.E.L.D, do Homem de Ferro e Vingadores ou do Capitão América e a Resistência? No fim o livro terminou e não consegui me decidir, fica para uma releitura quem sabe!? 

Pra quem gosta de uma aventura daquelas em que você não consegue desgrudar do livro, Guerra Civil é uma ótima oportunidade de conhecer mais a fundo esse episódio divisor de águas entre os heróis. Vale á pena!

Hasta La Vista :*


Site de Apoio:
http://www.marvel616.com/2014/10/guerra-civil-agora-em-livro-ser-lancado.html